Domingo, 5 de Julho de 2009

Estação das Docas, Belém, Pará, Brasil

É por isso que que chamo o Paranoá de "laguinho"

Olha a cara de felicidade da moça na foto...

Eu a e mamãe

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Sobrevivência

Conheço gente que vendeu feijoada na rua para juntar dinheiro de campanha do PT. Eu presenciei situações parecidas no começo da minha adolescência. Nas fases mais difíceis para o partido, foi a militância que carregou o piano. Sem romantismo: fizeram isso em nome de um sonho. Chegar ao poder e mudar o Brasil.

Aconteceu. Chegaram ao poder. E agora? Como devem estar se sentindo os militantes que perderam domingos com a família por causa de reuniões, em eventos para angariar fundos, viagens... como? Como devem estar se sentindo ao ver que o PT está protegendo José Sarney depois de uma avalanche de denúncias no Senado?

Pensei algo parecido na época do mensalão. Lembrei do José Dirceu sendo preso no Congresso da UNE e do que o José Genoíno passou quando foi para a Guerrilha do Araguaia. Será que nesses momentos, eles imaginavam que quando chegassem ao poder iam ter seus nomes envolvidos em denúncias de corrupção?

Pelo o que vocês puderam perceber, o PT, para mim, é um monte de perguntas sem resposta. Sim, porque não há mais ninguém que possa respondê-las. O PT acabou.

Existe, sim, e não posso negar, uma realidade. O PT está no poder e precisa de base aliada. Sem um grande partido pactuado, pode se enfraquecer em campanhas eleitorais. Tantos nos estados, quanto em nível nacional, há uma grande necessidade de estar ao lado do PMDB. É o partido que mais fez prefeitos no Brasil, tem as maiores bancadas na Câmara, no Senado e nas Casas Legislativas país a fora. Você perderia um amigo desses se precisasse permanecer no Palácio do Planalto?

Mas o PMDB não é amigo de ninguém. Está aí barganhando cargos, fazendo chantagens, sempre com cartas na manga. Também é um partido político e precisa sobreviver. Fez essa opção: quando não está no poder, possui força para tirar qualquer aliado de lá. Esse é jogo.

Esta semana, todos os colunistas e blogueiros de política da grande imprensa falaram sobre o dilema do PT a respeito da possível saída de Sarney da presidência do Senado. É uma legenda dividida – sempre foi – e nesse momento não ia ser diferente. Os que ficaram pós-mensalão – parte foi para o PSOL – engolem a seco as ordens de Lula e Dilma. Se submetem a um papel ridículo porém que faz sentido: não dá mais para rasgar o pano, se arriscar e bater de frente. O partido cresceu, as eleições estão vindo aí. São políticos, querem ser reeleitos, querem, digo mais uma vez, sobreviver.

Mas há pessoas que não podem parar suas vidas por causa de uma crise no Senado. Elas sabem que o dinheiro que pagam com seus impostos está indo pro ralo com contratações de afilhados políticos, casas não declaradas, atos secretos e contratos milionários com empresas terceirizadas. Precisam trabalhar e, assim como PT e PMDB, precisam sobreviver de alguma forma.

E assim vamos vivendo com a sensação de que nada vai mudar. E sabem porquê? Duvido se alguém vai vender feijoada hoje em dia por causa de partido. Duvido.

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

O sonho não acabou



Esses dois pedaços de papel que as duas jovens da foto seguraram no ano de 2006, quando se formaram, foram conquistados.

Joelma e eu fizemos o Trabalho de Conclusão de Curso juntas. Hoje, ela é assessora de comunicação da Mineração Rio do Norte em sua terra natal, Porto Trombetas, no oeste do Pará. Hoje, eu sou assessora de imprensa do senador José Nery e moro em Brasília.

Joelma saiu de Trombetas aos 18 anos para morar sozinha em Belém quando passou no vestibular da Universidade Federal do Pará. Não foi fácil. Mas ela conseguiu segurar todas as ondas e venceu. Ganhou projeção na empresa que estagiava, foi contratada e caminhou com garra até conquistar a vaga na MRN. Voltou para a terrinha vitoriosa e ao lado do homem da sua vida – coisa que também é difícil achar – mas até isso ela conseguiu!

Já eu, precisei renunciar a várias coisas por causa da Universidade. Um ano depois comecei a estagiar, aí começou o sufoco. Estudava de madrugada, virava final de semana para entregar trabalho no prazo. Muitas vezes deixei de sair com os amigos, ir ao cinema, coisas que uma jovem com seus 20 e poucos anos costuma fazer. Tudo para conseguir esse pedaço de papel. Era o meu grande sonho.

Joelma e eu entregamos o TCC aos trancos e barrancos, pois já atuávamos como profissionais em 2006. Eram dois expedientes de trabalho duro e mais a noite para pensar, ler e conceber o trabalho. Outro desafio. Superamos e tiramos conceito excelente.

Lembro bem. Fomos pegar o diploma juntas na UFPA. Me recordo do cheio do papel novo. Quando toquei, li meu nome, passou um filme na minha cabeça. Lembrei dos meus pais, de tudo que eles fizeram para eu conseguir aquilo.

Essa foto foi tirada pelo meu colega Felipe Blanco, um grande jornalista que também lutou pelo seu diploma.

Essas e outras histórias de jornalistas que se formaram profissionalmente foram manchadas hoje por uma decisão do Supremo Tribunal Federal. Finalizo com uma frase clichê. Apesar de tudo, ministros, o sonho não acabou.

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Ao vivo



Foto de André Dusek/AE

A tribuna de imprensa do Senado estava cheia. Em meio a mais uma crise do senado com a opinião pública, Sarney falava e o plenário permanecia em silêncio. Entre os senadores que prestava atenção no discurso estava Fernando Collor de Melo. E eu lá, olhando para os dois.

Lembrei de quando Sarney era presidente. Eu tinha cinco anos. Ele fazia vários pronunciamentos em rede nacional para anunciar seus planos econômicos. Começava a fala com “brasileiros e brasileiras...”. É a minha lembrança mais forte dele.

Já Collor me faz lembrar, claro, o impeacheament e quando eu despertei para o jornalismo ainda na infância também. Sempre que o vejo na minha frente aqui, vêm à tona, como um filme, todas as mazelas que ele deixou na minha família com o confisco e na minha vida, por causa de todas as dificuldades que passamos naquele período.

Mas essas lembranças vivem em mim por causa da televisão e da “Isto É”. Hoje, foi tudo ao vivo. Quando o Sarney terminou de falar, Collor foi abraçá-lo. Falei para a minha amiga Amanda, que estava ao meu lado. “Nunca pensei em ver isso ao vivo tão cedo. Os dois caras que acompanhei na infância estão na minha frente”.

É a prova que o mundo realmente dá voltas.

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Vejam o Sméagol... quer dizer... o Serra.

Domingo, 14 de Junho de 2009

Se a Globo não tivesse novela, o Fantástico não teria pauta.

O programa abriu com duas matérias sobre a personagem da Dira Paes em "Caminho das Índias". Uma sobre a música "Você não vale nada, mas eu gosto de você" e outra sobre a moda que a personagem está trazendo... de deixar o sutian à mostra no decote.

A segunda foi sobre a novela "Caras e Bocas", do horário das sete. Sobre filhos que querem casar as mães que estão sozinhas.

Quando eu pensava que o jornalismo ia começar, me vem uma entrevista com a Claudia Leitte sobre a cura do filho dela, o Davi. Tudo bem, a história é bonita, mas...

Agora começou o quadro da Regina Casé... que não tem nada que se aproveite.

Acho que o nome do programa deveria mudar pra Zorra Total.

E eu vou mudar de canal.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

Tirem as crianças da sala

Cada dia que passa chego a conclusão que o José Serra não é desse mundo.

Ontem, vendo umas inserções da propaganda do PSDB na TV, tomei um susto. O Serra estava a cara do personagem Sméagol do filme "Senhor dos Anéis". Confesso, me recusei a assistir todo o vídeo. Fiquei com medo de sonhar, ter pesadelos com a aquilo.

O PSDB fez duas inserções. Uma sobre o Serra e outra sobre o Aécio. Claro que o Aécio é mais bonito, fica melhor no vídeo, nem precisa tanto. Mas se o partido está vivendo uma cisão, deveria dar "direitos iguais" aos seus dois pré-candidatos. Colocar o Serra com cara de monstro - olheiras terríveis, olhos vermelhos - e o outro com cara de galã, não fica bem.

Em termos de imagem, a propaganda está sendo mais vantajosa para o Aécio, levando em conta que as inserções são veiculadas em rede nacional. Mas o preferido da cúpula não é o Serra?

Pois bem. Fica o mistério. Talvez o Serra ache que mesmo parecendo o Sméagol será o próximo presidente da República. Se teve gente que precisou tirar a imagem de torneiro mecânico para ganhar eleição, imagine quem tem cara de monstro...

Só que mudar a cara do Serra será mais difícil.

Por isso, eu acho que o Aécio pode até reverter a história e ganhar essas prévias. Imagem não é tudo, mas conta. Hoje em dia, eleição no Brasil precisa mais de instrumentos de marketing do que de ideologias. É triste, nossas eleições não deveriam ter ido para esse caminho. O programa eleitoral virou uma feira, onde pessoas se colocam à venda.

E se um partido está passando por divisões e quer voltar ao poder como o PSDB, tem que consolidar uma imagem ou pelo menos investir nisso. Até agora, os tucanos não conseguiram. E 2010 está na porta. A única coisa que eles fazem é confundir o eleitorado. Tenho dois exemplos rápidos:

- Ajudaram a derrubar a CPMF, criação do Governo FHC em 2007. Sob a alegação de que arrecadação desse imposto para a saúde não trouxe resultados para o setor. É, não traz resultados desde 1995 então...

- O triste fim da CPI dos Cartões Corporativos em 2008. Quando começaram a surgir as denúncias da época do Governo FHC, recuaram.

Lembrete 1: A Dilma fica muito bem no vídeo. A Heloísa Helena também. Todo poder às mulheres que só precisam de um batom, um lápis no olho e uma base para ficarem bonitas! E ainda são inteligentes!

Lembrete 2: O Paulo Henrique Amorim tem várias charges em seu site comparando o Sméagol ao Serra. Mas no vídeo em questão, a semelhança se acentuou.

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

Blog da Petrobras, PIG, entre outras coisas

Vocês já devem ter ouvido falar no PIG, né?

Sim, é o Partido da Imprensa Golpista (PIG), um apelidinho carinhoso dado pelo Paulo Henrique Amorin aos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo, à Veja e a TV Globo - se bem que ele pega mais no pé da Mirian Leitão.

Quando eu era repórter, não aceitava a teoria do PIG, muito defendida pelo meu colega Fábio Nóvoa. Achava a Folha e o Estadão dois exemplos de jornalismo imparcial e independente. Claro, em relação aos jornais de Belém, que tem comprometimento político até os dentes, eles são bem melhores.

Mas desde que cheguei a Brasília e que estou respirando política 24 horas por dia, comecei a observar algumas coisas. A primeira cobertura que chocou meus princípios éticos foi a sobre a doença da Dilma. A Veja escreveu que ela iria perder o cabelo umas três vezes na mesma matéria, O Globo, Folha e Estadão seguiram a mesma linha. Uma vontade de ver a Dilma careca, mal, morrendo... enfim... sem ser candidata.

Não sou petista, mas quando o Mário Covas adoeceu - Deus o tenha - o tratamento da imprensa não foi bem assim. Durante o governo FHC, quando o Sérgio Motta adoecia, quando o Luís Eduardo Magalhães morreu, eles foram tratados como heróis. Como os veículos podem explicar isso hoje? Cadê a independência? E a mínima imparcialidade?

Já a CPI da Petrobras, se for levada ao pé da letra, faz sentido e é necessária, caso haja irregularidades. Se trata de uma estatal, tem dinheiro público envolvido, é natural que o Poder Legislativo queira investigar contratos possivelmente irregulares.

Mas isso no País das Maravilhas...

A Petrobras é um dos carros-chefe do Governo Lula. Ganhou fôlego, um banho de marketing, novas descobertas, Pré-Sal... Além disso, a estatal está cada vez mais próxima do capital estrangeiro. Negociar petróleo com o Brasil é muito melhor do que com o Iraque - convenhamos.

A CPI é uma manobra eleitoral demo-tucana para tentar fazer a popularidade do Lula cair e minar o terreno da candidatura da Dilma. O problema é que nem o mensalão atingiu o Lula. A CPI dos cartões corporativos também não teve lá um final feliz. O PIG tem perdido várias batalhas. Hoje, eleição é decidida na urna. O povo não é mais besta e ainda ganha uma bolsinha-família...

Há quase três semanas, Renan Calheiros está bloqueando a instalação da CPI da Petrobras. Já me cansei de ver as caras de tacho do Agripino, do Tasso Jereissati e do Sérgio Guerra. É por isso que o PT não larga o PMDB... serve para apagar uns incêndios.

Agora a comunicação da Petrobras inovou com o blog em que mostra todas as perguntas e respostas em sua relação com a imprensa nesses tempos de CPI. É PIG... melhor pendurar as chuteiras...

Quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Jeito de Mato

Composição: Paula Fernandes e Maurício Santini

De onde é que vem esses olhos tão tristes?
Vem da campina onde o sol se deita
Do regalo de terra que o teu dorso ajeita
E dorme serena, no sereno sonha

De onde é que salta essa voz tão risonha?
Da chuva que teima, mas o céu rejeita
Do mato, do medo, da perda tristonha
Mas, que o sol resgata, arde e deleita

Há uma estrada de pedra que passa na fazenda
É teu destino, é tua senda, onde nascem com as canções
As tempestades do tempo que marcam tua história
Fogo que queima na memória e acende os corações

Sim, dos teus pés na terra nascem flores
A tua voz macia aplaca as dores
E espalha cores vivas pelo ar
Sim, dos teus olhos saem cachoeiras
Sete lagoas, mel e brincadeiras
Espumas ondas, águas do teu mar

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

Para Walter

Querido amigo,

Você foi embora e eu nem me despedi. Às vezes lembro da tua gargalha, das tuas ironias e piadas. Você me alegrou o máximo que pode.

Te conheci pelo talento, mas reconheci pela amizade. Por meio da Nara, quase uma irmã pra mim, tua sobrinha querida, te vi andando de cueca pela casa, falando palavrão com a tua voz grossa, discutindo com a dona Riza, brincando com os sobrinhos netos, sendo criança com eles.

Vi o Walter na intimidade. Quando conversamos você sempre vinha com a tirada inesquecível, uma frase de efeito. Foi muito bom e proveitoso ver você sair do palco para a minha vida.

Você foi o melhor cantor do Pará. Continuará sendo.

Beijos

Ale

Sábado, 30 de Maio de 2009

Mudanças

Odeio ritos de passagem e sempre tenho dificuldade de lidar com eles. Mas como o próprio nome diz: passam.

Cheguei em Brasília há dois meses.

Há dois meses, a minha vida virou de ponta cabeça. Não tive vida normal durante esse período. Adaptação à cidade, ao clima, ao Congresso – que eu pensava que conhecia, doce ilusão! – aprender o que é Asa Norte, Asa Sul, W3 Norte, W3 Sul, L2 Norte... Onde estão as quadras, as superquadras, as entrequadras... Enfim...

A partir de agora vou morar sozinha. Era algo que eu queria muito, mas que cansa, dá trabalho, enfim.

Fiquei nesses primeiros dias em uma pensão na W3 Sul. É o destino de muita gente que chega em Brasília, não tem onde morar, precisa de um tempo para procurar apartamento como foi o meu caso. Aqui conheci a Bruna, a Suelle, a Denise e a Mariza. Uma ajuda a outra nos momentos de solidão, de tédio, de alegria e principalmente de fome com as doações mútuas de miojos, ovos, biscoitos e afins.

É sempre assim, tenho que ficar com o coração dividido, todas as vezes que eu tenho que tomar decisões, principalmente aquelas que mudam a minha vida.
As meninas foram para Pirinópolis e foi melhor assim. Pelo menos não vai ter esse negócio de despedida.

Agora, vou começar do zero.

E estou morrendo de medo, de novo.

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

Com estranhos

(Rodrigo Amarante)

Aposto que você está perguntando como eu sabia
Que isto tinha chegado ao fim
Ele roubou seu coração
Então você me jogou ao vento

Eu continuo fingindo não me importar
Mas o inverno cheira em seu cabelo
Compele minhas mãos a fazer
Coisas que meu coração não ousaria

Vou permanecer me firmando em você
Não vejo sentido em viver com estranhos
Somente você, só agora

E no crepúsculo das horas
Quando tolos são confundidos com homens
Esta sombra me abriga bem
Meus arrependimentos, vou enfrentar no final

Vou permanecer me firmando em você
Não vejo sentido em viver com estranhos
Somente você, só agora

Vou permanecer me firmando em você
Não vejo sentido no amor com estranhos
Somente você, só agora

Terça-feira, 12 de Maio de 2009

Dias Difíceis

Viver em Brasília não é fácil. A cidade é silenciosa e te força a refletir sobre algumas coisas.

Tive a chance de conversar com alguns colegas, agora ainda mais porque estou fazendo um curso na Unilegis. Uns saíram de uma redação de jornal para serem assessores parlamentares. Outros estão na grande imprensa, passam o dia aqui e - como já contei - sentam no chão por falta de espaço aqui no Congresso ao esperar coletivas e outras coisas.

Há aqueles que gostariam de morar em Belém porque tem o que fotografar. Outros estão frustrados, vieram de suas cidades, querem voltar, acham que jornalismo só serve para destruir os outros.

Estão frustrados com a profissão. Não com o emprego. Com a profissão.

Como já fiz várias vezes, pensei: "será que vale a pena?" Poucos jornalistas vivem bem financeiramente. Os que vivem, já têm um bom tempo de estrada e se valem da credibilidade para conseguir o emprego que quiserem.

Credibilidade e respeito são dois itens difíceis de entrar no currículo de um jornalista. A profissão exige experiência. Quando não exige, mesmo o repórter sendo talentoso, paga mal.

Sempre fui apaixonada pelo jornalismo, algo que faz parte de mim. Mesmo com suas fissuras, problemas éticos, enfim... não sei até onde vai minha empolgação, espero que ela nunca acabe. Quando vejo um colega frustrado, jovem como eu, fico chocada e imagino se não estou sendo romântica demais, me sinto excluída, sabe?

Tipo, em Brasília, pela primeira vez, comecei a me sentir culpada por ser jornalista.

Tomara que passe.

Domingo, 26 de Abril de 2009

... com um vazio

Leave Out All the Rest
Linkin Park


I dreamed I was missing
You were so scared
But no one would listen
'Cause no one else care

After my dreaming,
I woke with this fear
What am I leaving,
When I'm done here?

So if you're asking me
I want you to know

When my time comes
Forget the wrong that I've done
Help me leave behind some
Reasons to be missed

Don't resent me
And when you're feeling empty
Keep me in your memory
Leave out all the rest

Leave out all the rest...

Don't be afraid
Of taking my beating
I've shared what I'd made

I'm strong on the surface
Not all the way through
I've never been perfect
But neither have you

So if you're asking me
I want you to know

When my time comes
Forget the wrong that I've done
Help me leave behind some
Reasons to be missed

Don't resent me
And when you're feeling empty
Keep me in your memory
Leave out all the rest

Leave out all the rest...

Forgetting
All the hurt inside
You've learned to hide so well

Pretending
Someone else can come,
And save me from myself.
I can't be who you are

When my time comes
Forget the wrong that I've done
Help me leave behind some
Reasons to be missed

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

O Estress nos Poderes

Estou dentro do Congresso Nacional em meio a uma das maiores crises do Senado e da Câmara junto à opinião pública. A imprensa só falta dormir aqui. Os colegas ficam sentados no chão esperando coletivas, esperando fulano ou beltrano passar no corredor. São semblantes de pressão e busca de fôlego.

As pessoas às vezes não pensam de forma simples e criam polêmicas que parecem não acabar mais. Há apenas uma lógica nisso tudo: o dinheiro é público. Se o Senado possui 81 parlamentares e a Câmara, 513, eles foram escolhidos pela população que vota. Precisam ser fiscalizados para não terem privilégios por causa do cargo.

Para mim, eles não deveriam nem ganhar salário e sim uma ajuda de custo. Política não pode ser meio de sobrevivência. Muitos que estão plantados no Congresso são donos de fazenda, veículos de comunicação, grandes empresas... para quê ganhar tanto, ter tantos benefícios?

O próprio Tasso Jereissati – que é dono de rede de shopping e sócio do grupo de comunicação Verdes Mares no Ceará – afirmou que ser senador lhe dava prejuízo. Foi a resposta que deu por usar sua cota de passagem para alugar avião...

Além da lista de cinismos, os políticos estão com ódio da imprensa. Ontem vi uma cena que me impressionou aqui no Senado. Almeida Lima (PMDB/SE), com a edição do Correio Braziliense, desbravou ofensas ao repórter Leandro Colon, que fez uma matéria sobre o uso de milhas para encobrir o uso das passagens para o exterior. O Leandro deve ter adorado, espero um dia poder perguntar isso a ele. Se o senador ficou aborrecido, o jornalista fez o trabalho correto.

Pior foi o Ciro Gomes – não tenho nada contra cearenses, até porque minha mãe é lá – que, como eu costumo dizer, soltou os “caralhos” numa entrevista coletiva na Câmara. É... os nervos estão à flor da pele.

Esse tipo de comportamento é esperado aqui. São muitos parlamentares, cada um com ideologias diferentes, culturas locais, entre outras peculiaridades. Mas no Supremo Tribunal Federal?




Maninhos, quando vi isso, me lembrei de outra briga histórica. Jader e ACM. Os dois fizeram do Senado um ringue em 1999. A frase que mais me marcou foi dita por Jader: “Calado, caladinho aí” para o ACM quando ele pediu aparte.

É interessante notar uma coisa. Joaquim Barbosa, o primeiro negro a ser ministro do STF, falar em tom emocional, de desabafo mesmo. Não deve ser fácil andar na rua e ouvir as pessoas falarem: “pô, aquele teu presidente tem chave para tudo quanto é cadeia, é?”. Quantas vezes ele não deve ter ouvido isso? Estressa... Estressa...

PS: A autora do blog apóia Joaquim. Quem devia ter soltado os “caralhos” era ele.